
Certo dia tava lendo o fotolog de um amigo e lá estava: procrastinação. Pensei logo em que diabos seria aquilo. Um remédio, doença, chingamento. Tudo, menos algo que sempre tive: o ato de procrastinar. Vamos lá, procrastinar é o diferimento ou adiamento de uma ação. Para a pessoa que está procrastinando, isso resulta em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha em relação aos outros, por não cumprir com suas responsabilidades e compromissos. Meu amigo definiu como “a forma dos tímidos rebelarem-se. É como os covardes se recusam. É a dança dos preguiçosos, dos desacreditados, dos inseguros. Cujo ritmo é muito difícil de desaprender, mas é terrivelmente contagiante”. Mas, espere, de tímida eu não tenho nada e muito menos insegura. Ou isso seria só uma dificuldade em assumir o que eu realmente sou? Mas tímida não. Isso não. Sabe quando você tem de fazer um trabalho escolar, por exemplo, e bate aquele desânimo? Seja porque o professor é chato, a aula é chata ou simplesmente porque ele não deu a valorização necessária ao seu trabalho passado e, consequentemente, ele não dará no próximo. Quando o meu amigo me explicou sobre procrastinação, ouvi ele me descrevendo. Dentre tantas outras similaridades que temos, essa com certeza seria a maior. Tudo bem que grande parte das pessoas não sabem que existe um nome para isso, além de preguiça. Mas, não, procrastinar vai muito além. Além da preguiça, do cançaso, da vagabundagem. É alguma desordem psicológica ou fisiológica. É mais ou menos “Um quê de liberdade e um quê de ‘pra sempre” e disso eu não quero me livrar.
- Fernanda Bittencourt
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