sábado, 1 de novembro de 2008

Ônibus 174

Sandro Barbosa do Nascimento sequestra um ônibus de número 174, que fazia o trajeto Central - Gávia, e mantém 11 pessoas como reféns por horas. Quando resolve se render usa uma das reféns, a professora Geisa Firmo Gonçalves, como escudo e sai do ônibus. Algo dá errado e um policial do BOPE atinge um primeiro tiro na mulher e logo depois Sandro a atinge fatalmente com mais três tiros nas costas e vai preso. Morre por asfixia dentro da viatura que o levaria a delegacia.
Mesmo não sendo sua intenção inicial, ele matou a professora. A reação da populção foi imediata: uma mistura de medo e revolta foi a resposta àquela barbárie. Com o passar do tempo, alguns acreditam que Sandro foi 'vítima do sistema'. Já imaginaram se todos que se julgassem 'vítimas do sistema' resolvessem sequestrar, roubar ou matar alguém? Não haveria mais classes média e alta para contar a história.
Se a maioria vive com pouco é porque uns poucos vivem com muito. Concordo. Mas aí eu pergunto: desses poucos, quantos são verdadeiramente culpados pelas diferenças sociais? E quantos estão bem (pelo menos financeiramente) por serem pessoas dedicadas e terem isso como devido merecimento? O que uma professora tinha a ver com a má distribuição de renda do país, desvios de verba, com a falta de oportunidades iguais para todos? O que tinha essa professora a ver com o sistema e sua estrutura social precária?
Ela era apenas mais uma dentre tantos buscando uma vida melhor. E mesmo não sendo uma simples professora, mesmo sendo o pior dos governantes, o culpado por toda a precariedade social, nada justificaria alguém disparar três tiros em suas costas e acabar com sua vida. Há outras maneiras de se ganhar a vida sem ser roubando. Há outras maneiras de chamar a atenção para os problemas sem ser matando alguém. Maneiras mais eficientes de dizer que algo está errado.
O assassinato da professora não mudou nada na realidade das pessoas como Sandro. Ninguém ficou mais rico por isso. Apenas foi reacesa a chama da indignação diária que ilumina a vida de quase todos os cidadãos de um grande centro urbano.
- Carla Fiacadori

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Que mané crise é essa?


Que coisa mais estranha essa história da crise econômica! Que a crise começou no setor imobiliário norte americano, todo mundo sabe; que ela tomou grandes proporções e passou a afetar outros países, também; que os juros subiram; que inflação aumentou; que os produtos ficaram mais caros; e que os salários não tiveram aumento, todos já estão cansados de saber, ou deveriam estar se acompanhassem minimamente os jornais. O que não consigo entender, entretanto, é: se a situação é tão crítica assim – inclusive o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, semana passada, foram à Câmara dos Deputados para esclarecer as eventuais dúvidas a respeito da crise financeira – como é que as pessoas continuam gastando desenfreadamente? Não entra na minha cabeça uma coisa dessas.
Semana passada, minto, domingo fui ao shopping com minha mãe resolver umas coisas e fiquei impressionada com a quantidade de gente nas lojas, fazendo fila nos caixas, comprando e gastando dinheiro. Sinceramente, se o povo gasta tanto assim, a quem essa crise está afetando? Aos mais pobres, aos menos favorecidos? Pode até ser que sim, mas segundo informações divulgadas pelos jornais, a crise afeta todo mundo. Mesmo assim, o povo continua gastando e se endividando.
Falei dos shoppings, mas esqueci dos shows, não menos importantes. Tem gente que desembolsa fácil R$50, 60 reais pra assistir a um show. Não critico quem faça isso de vez em quando, mas e quem faz isso todo final de semana? Não sei como funciona essa história da crise, porém, confesso, tenho curiosidade. Mas fica a pergunta: que mané crise é essa? E outra: quem souber aonde compra a semente pra se plantar dinheiro, me avisa, porque eu não encontro pé de dinheiro por aí!
- Joana Lamounier