terça-feira, 21 de outubro de 2008

Rostos meramente familiares

Em uma dessas aulas cujo tema é bem óbvio, ouvi uma fala que se tornou realidade pra mim no último sábado. Um dos nossos professores estava falando que se encontrarmos um dos funcionários do IESB fora da faculdade, sem o uniforme do instituto, muito provavelmente saberemos que aquele rosto não nos é estranho, mas não conseguiremos identificar de imedianto de onde é que nós o conhecemos. Fui pra casa pensando seriamente naquilo. Várias e várias vezes já olhei pra uma pessoa, sabia que a conhecia mas não sabia de onde.
Sábado estávamos em uma das boates de Brasília. Como é de praxe, havia um segurança na porta de entrada e dois mais a frente. Um dos que estavam mais a frente, eu já conhecia. Até comentei com as meninas... achei que o tinha visto em uma outra boate e elas concordaram. Quando estávamos entrando, esse segurança me pergunta: VOCÊ ESTUDA NO IESB, NÉ? Eu respondi que sim. Estava bastante surpresa com a pergunta. Resolvi perguntar como ele sabia, pois eu não estava com nada que pudesse me identificar como sendo aluna do IESB. Ele me respondeu puramente: É QUE EU TRABALHO LÁ E JÁ TE VI CHEGANDO. A mesma pergunta ele fez pra uma das minhas amigas.
Bom, parece uma coisa meio banal, mas eu me senti envergonhada. Aquele segurança vê mil rostos todos os dias e teve a capacidade de nos reconhecer. E nós, que vemos um grupo pequeno de funcionários todos os dias, não fomos capazes de identificá-lo.
Acho que está na hora de olhar para o rosto das pessoas, ver os olhos delas. O ser humano se acostumou a olhar para o próximo de uma maneira diferente: não querem mais saber quem ele é. O importante passou a ser O QUE ele é.
Sinceramente? Essa não é exatamente a maneira que eu quero utilizar para identificar quem me cerca. O rosto ainda é a melhor senha.
- Carla Fiacadori

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